A pergunta quase nunca chega formal. Ela chega no meio de uma conversa sobre cadeira nova: "e se eu abrir o CNPJ do salão, quanto vai custar?". Ou chega em novembro, quando você soma o ano e vê que já passou do limite do MEI.
Em geral vem junto com um número que alguém falou no grupo do WhatsApp. Sempre redondo, sempre sem fonte.
A resposta honesta tem dois blocos. Um é público e tabelado: a taxa da junta comercial do seu estado. Costuma ser a menor parte da conta. O outro é variável e decidido na sua cidade: licenças, vigilância sanitária, bombeiros, certificado digital, contabilidade. Esse segundo bloco é o que faz o total de um salão em Sorocaba ser diferente do de um salão em Belém.
Resumo rápido
- A taxa da junta comercial é tabelada e pública. Em São Paulo, em 2026, registrar o contrato social de uma sociedade limitada como ME ou EPP custa R$ 218,99.
- Cada estado tem tabela própria. O mesmo ato custa valores diferentes em São Paulo e em Minas Gerais.
- Alvará, vigilância sanitária e bombeiros variam por cidade e por metragem. Não existe valor nacional.
- Salão de cabeleireiro, manicure e pedicure está na lista nacional de atividades de baixo risco, o que dispensa alvará e licença para funcionar. Estética tem tratamento diferente, e o município pode ter lista própria.
- O teto do MEI em 2026 é de R$ 81.000 por ano. Passar tem regra definida, e o efeito é bem diferente se o excesso ficar até 20% ou acima disso.
- Se o seu modelo é o de parceria com as profissionais, a estrutura precisa ser pensada desde a abertura, porque o salão-parceiro não pode ser MEI.
O que você paga de verdade para abrir
A taxa da junta comercial
É o registro do ato que cria a empresa. O valor depende do estado e do tipo de empresa.
Em São Paulo, a tabela de 2026 da Jucesp cobra R$ 94,90 para inscrição de empresário individual enquadrado como ME ou EPP, e R$ 218,99 para o contrato social de uma sociedade limitada enquadrada como ME ou EPP. Sem o enquadramento em ME ou EPP, esses valores sobem para R$ 120,25 e R$ 273,55.
Repare na diferença: escolher entre empresário individual e sociedade limitada muda a taxa em mais de cem reais no mesmo estado. E essa escolha não deveria ser feita pela taxa. Ela mexe em separação de patrimônio e na entrada de sócios depois.
Se o seu salão não é em São Paulo, procure a tabela da sua junta. A de Minas Gerais, por exemplo, publica os próprios valores no site oficial. Não são os mesmos.
Certificado digital
A empresa vai precisar dele para assinar documentos, emitir notas e cumprir obrigações. É preço de mercado, cobrado pelas autoridades certificadoras, e varia conforme o tipo e a validade. Peça duas ou três cotações antes de fechar.
Alvará, sanitária e bombeiros
Aqui a conta se abre de verdade, e é aqui que quase todo mundo erra a estimativa.
Salão, barbearia e espaço de estética são estabelecimentos de interesse à saúde. Isso costuma trazer a vigilância sanitária para dentro do processo, além do alvará da prefeitura e, dependendo da área e da ocupação, da vistoria do corpo de bombeiros.
Existe um caminho mais curto para boa parte dos casos. A Lei da Liberdade Econômica determinou dispensa de licença para atividades de baixo risco, e a lista nacional inclui a atividade de cabeleireiros, manicure e pedicure. Dois avisos: estados e municípios podem ter classificação própria, que é a que vale na sua cidade; e a atividade de estética e outros cuidados com a beleza não recebe o mesmo tratamento na lista nacional. Se o seu salão faz depilação, sobrancelha ou procedimentos estéticos, confira com atenção.
Contabilidade
São dois serviços diferentes: a abertura e o acompanhamento mensal depois. Os valores variam por escritório, por porte e por volume de notas e de funcionários. Peça proposta por escrito, com escopo claro do que está incluído.
O custo que ninguém coloca na planilha
Abrir o CNPJ é o começo. Do mês seguinte em diante existem DAS, folha, pró-labore e obrigações mensais. Reserve capital de giro para o primeiro trimestre. É mais comum apertar aqui do que na taxa da junta.
Depois de aberta, quanto vai de imposto?
Essa é a pergunta que vem logo atrás, e a resposta tranquiliza mais do que assusta.
A alíquota do Simples para serviço de salão começa em 6%. Faturando até 180 mil por ano, ela continua a mesma. Quem passa disso entra na faixa seguinte, mas não é a receita toda que muda de faixa, só a parte que passou. Por isso a conta real quase sempre dá menos do que a tabela assusta.
Serviços de beleza (Anexo III): como a alíquota cresce
A maioria dos salões e barbearias fica na primeira faixa, em destaque. Essa é a alíquota da faixa, não necessariamente o que sai do seu bolso: quando o faturamento passa para a faixa seguinte, só a parte que passou é que sobe. Por isso a conta real costuma dar menos do que a tabela assusta.
O detalhe do setor que muda a estrutura toda
Antes de escolher o tipo de empresa, vale entender uma regra que o mercado da beleza tem e quase nenhum outro setor tem.
Empresa do Simples Nacional, em geral, paga imposto sobre tudo o que fatura. Loja, oficina, restaurante: o cliente paga, entra na conta, é tributado.
No salão pode ser diferente. Existe uma lei de 2016, a do Salão-Parceiro, que diz que a parte da profissional parceira não entra na receita bruta do salão. Só entra na conta do salão o que é do salão.
Um benefício que quase nenhum setor tem
No Simples, a regra é pagar imposto sobre tudo. No mercado da beleza, não.
Em outros ramos, o imposto cairia sobre os R$ 100.000 inteiros. Aqui existe uma lei própria do setor, a do Salão-Parceiro, que tira o repasse da conta, mesmo o dinheiro tendo passado pela conta da casa. Para valer, ela pede contrato assinado e o parceiro com CNPJ. Números de exemplo, com divisão meio a meio.
Com número redondo: dois negócios passam 100 mil por mês na maquininha. A loja comum calcula o imposto sobre os 100 mil. O salão que trabalha com parceiras e divide meio a meio calcula sobre 50 mil, porque a outra metade nunca foi dele. É receita das profissionais, que pagam os próprios tributos.
Por que isso entra num texto sobre abrir empresa? Porque define a estrutura. O salão que celebra contratos de parceria não pode ser MEI. E a divisão só existe para a Receita se houver contrato escrito, homologado pelo sindicato da categoria, com duas testemunhas. Isso se resolve na largada, não depois.
Como o dinheiro caminha no modelo de parceria
Na parceria, quem recebe do cliente é o salão. A cliente não paga a manicure, paga o caixa. Depois o salão fica com a parte dele e repassa a parte dela.
A cliente da Paula fez as unhas e pagou 100 reais. A divisão combinada em contrato é meio a meio. Cinquenta reais são do salão, cinquenta são da Paula.
Como o dinheiro se divide (exemplo)
A cliente paga pelo serviço (as unhas)
R$ 100
R$ 50
entra na conta do imposto
Ana Claraprofissional parceiraR$ 50
não entra na conta da casaTudo entra na conta da casa, e o repasse acontece depois. Mesmo assim, a parte do parceiro não é receita da casa, desde que a parceria esteja formalizada com contrato e nota. A divisão meio a meio é a mais comum no mercado, mas vale a que estiver escrita no contrato.
Os cinquenta do salão entram como aluguel da estrutura e serviços de gestão, cobrança e recebimento. Os cinquenta da Paula são receita dela, e é sobre eles que ela paga os próprios tributos, como MEI ou como empresa do Simples. O salão, em troca, assume a retenção e o recolhimento dos tributos dela.
Sair do MEI: como a conta funciona
O teto de faturamento do MEI em 2026 é de R$ 81.000 por ano. Existe mais de um projeto em discussão no Congresso, com valores diferentes de teto, e nenhum deles foi aprovado em definitivo até agora. Enquanto isso não muda, o limite que vale continua sendo R$ 81.000 por ano. Não dá para se planejar com uma regra que ainda não existe. Vale acompanhar, mas não vale planejar em cima disso.
Exemplo prático, com nomes e números fictícios
A Bruna faturou 96 mil no ano.
O teto é 81 mil, então ela passou 15 mil. Esses 15 mil representam cerca de 18,5% do teto, ou seja, ficaram abaixo de 20%. Nesse caso, a orientação oficial é declarar a DASN-SIMEI em janeiro com o total faturado. O sistema calcula o tributo sobre o excedente e ela passa a recolher como microempresa a partir do ano seguinte.
A Camila faturou 120 mil no ano.
Ela passou 39 mil, o que dá cerca de 48% do teto. Acima de 20%, a saída do MEI retroage a 1º de janeiro do ano em que o excesso aconteceu. Ela precisa apurar como microempresa aquele ano inteiro.
A diferença entre os dois casos não é de opinião, é de regra. E ela explica por que acompanhar o faturamento mês a mês vale mais do que descobrir o número em janeiro.
Prazos: o que demora e o que não demora
Consulta de viabilidade na prefeitura. Verifica se o endereço aceita a atividade. É a etapa que mais surpreende. Zoneamento e uso do solo já reprovaram muito ponto comercial bonito.
Registro na junta e CNPJ. Com os documentos certos, é a parte rápida e em boa medida automatizada.
Inscrição municipal e licenças. Depende da estrutura da prefeitura e do grau de risco da atividade.
Homologação do contrato de parceria. No modelo salão-parceiro, o contrato precisa ser escrito e homologado pelo sindicato da categoria, com duas testemunhas. Isso tem agenda própria.
Na prática, o gargalo quase nunca é a junta comercial. É a viabilidade do endereço e a licença sanitária.
O que pode dar errado
Somar só a taxa da junta e achar que acabou. A taxa é a parte tabelada e pequena. Alvará, sanitária, bombeiros e certificado digital ficam fora dela.
Usar o valor que um colega pagou em outro estado. As tabelas das juntas são estaduais. O mesmo ato tem preços diferentes.
Escolher o tipo de empresa pela taxa mais barata. Empresário individual sai mais barato no registro, mas tem efeitos diferentes de uma sociedade limitada quanto a patrimônio. Essa conversa vem antes.
Ignorar a metragem. Taxas municipais e exigências de bombeiros costumam variar com área e ocupação. Um salão de 30 metros quadrados e um de 200 não entram na mesma conta.
Abrir com a atividade errada no CNPJ. O código define grau de risco, exigência de licença e enquadramento tributário. Errar na abertura gera retrabalho depois.
Planejar com base em lei que ainda não existe. O teto maior do MEI é projeto em tramitação, não regra vigente.
Perguntas frequentes
Quanto custa abrir a empresa do salão, no total? Não existe número nacional. A parte tabelada é a taxa da junta, que em São Paulo, em 2026, é de R$ 218,99 para contrato social de limitada enquadrada como ME ou EPP. O resto depende do município, da metragem e das cotações de certificado digital e contabilidade.
Preciso de alvará para abrir um salão? Depende da classificação de risco no seu município. A lista nacional coloca cabeleireiros, manicure e pedicure entre as atividades de baixo risco, o que dispensa licença para funcionar. Estética tem tratamento diferente, e a cidade pode ter lista própria. Confirme na prefeitura.
Vale a pena continuar MEI? Isso não se resolve por preferência, e sim por limite legal e modelo de operação. O teto é R$ 81.000 por ano em 2026, com restrição de empregados e de estrutura. E o salão que trabalha com contratos de parceria não pode ser MEI.
Se eu passar do limite do MEI, pago multa? A regra não é de multa, é de saída do MEI com recolhimento sobre o excesso. Com excesso de até 20%, o efeito é no ano seguinte. Acima de 20%, retroage a 1º de janeiro do ano em que o excesso aconteceu.
Quanto tempo leva do zero ao CNPJ ativo? Registro e CNPJ são a etapa rápida. Viabilidade e licenças municipais variam mais, de dias a semanas, dependendo da cidade.
Antes de assinar qualquer coisa, feche a conta da sua cidade
A taxa da junta você confere em minutos na tabela oficial. O resto pede levantar endereço, atividade, metragem e o seu modelo de trabalho com as profissionais. É o conjunto disso que define o custo real, e também a estrutura que faz sentido para você.
A Agenda Contábil faz contabilidade para salões de beleza e barbearias e oferece um diagnóstico gratuito do seu caso. A gente olha onde você está hoje, qual estrutura faz sentido e o que a sua cidade exige. Sem compromisso, só para você decidir com a informação em cima da mesa.
Conteúdo informativo, com base na legislação e nas tabelas oficiais vigentes na data de publicação. Taxas e limites legais mudam. Confira as fontes oficiais listadas acima e converse com o seu contador antes de decidir.
Fontes
- Lei Complementar nº 123/2006 (Estatuto da Micro e Pequena Empresa e Simples Nacional)
- Portaria Jucesp nº 146/2025: Tabela de Preços 2026 da Junta Comercial de São Paulo
- Tabela de preços da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg)
- Resolução CGSIM nº 51/2019: atividades de baixo risco e dispensa de alvarás e licenças
- Lei nº 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica)
- gov.br: teto de faturamento do MEI
- gov.br: desenquadramento do MEI, regras e prazos
- Câmara dos Deputados: tramitação do PLP 186/2026 (teto do MEI)
- Sebrae: Lei Salão-Parceiro, como fazer parcerias com profissionais de beleza
- Portal do Simples Nacional, Receita Federal
A gente é contabilidade especializada no mercado da beleza. Cuida do contrato de cada parceiro, da nota da cota-parte, das guias e do acompanhamento mês a mês, para você poder pensar no seu negócio em vez de nisso. No diagnóstico gratuito a gente olha como está a sua situação hoje e te mostra o caminho, sem compromisso.
Quem assina
Alessandra Meireles da Silva
Contadora responsável técnica pelos serviços contábeis da Agenda Contábil, inscrita no Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina sob o nº 033545/O-1. Atua no mercado da beleza, aplicando a Lei do Salão-Parceiro em salões, barbearias, clínicas de estética e studios de unha.
Veja também como funciona a nossa contabilidade para salão de beleza, com a Lei do Salão-Parceiro aplicada do contrato ao imposto.
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